Entrevista do Mês - Aílton
Zinho

Zinho
Ex-atleta de Futebol


ZINHO, EX MEIO CAMPO DE GRANDES CLUBES BRASILEIROS E DA SELEÇÃO BRASILEIRA.

Ficha técnica
Nome: Crizam César de Oliveira Filho
Nascimento: 17/06/1967
Posição: Meia

Clubes em que atuou: • Flamengo (1986–1992 / 2004-2005)
• Palmeiras (1992-1994 / 1997-1999 / 2002-2003)
• Yokohama Flugels (Japão 1994-1997)
• Grêmio (2002-2002)
• Cruzeiro (2003)
• Nova Iguaçu (2005)
• Miami (2006)
• Seleção Brasileira (1989-1998)

Títulos:
Flamengo
• Campeonato Carioca (1986, 1991, 2004)
• Taça Guanabara (1988, 1989, 2004)
• Taça Rio (1986, 1991)
• Campeonato Brasileiro (1987, 1992)
• Copa do Brasil (1990)

Seleção Brasileira
• Copa do Mundo (1994)
• Copa Stanley Rous (1995)

Palmeiras
• Campeonato Paulista (1993, 1994)
• Torneio Rio São Paulo (1993)
• Campeonato Brasileiro (1993, 1994)
• Copa Mercosul (1998)
• Taça Libertadores da América (1999)

Grêmio
• Copa do Brasil e Campeonato Gaúcho (2001)

Cruzeiro
• Campeonato Mineiro, Brasileiro e Copa do Brasil (2003)

Conversamos com o ex craque e ele nos conta um pouco sobre sua trajetória no futebol e o que anda fazendo hoje em dia.

Sempre fui apaixonado pelo futebol, criado em Nova Iguaçu, joguei bola desde moleque nos campos do bairro e foi assim que minha história começou.

Costumava brincar na pracinha Santos Dumont, perto da minha casa, quando um rapaz que trabalhava no Correio, chamado Paulo Cesar passou e ficou observando o jogo, ele tinha um time pequeno em Nova Iguaçu, onde a responsável pelos jogos era uma americana, ela estava morando no Brasil e se apaixonou pelo futebol, veio dos EUA para morar em Nova Iguaçu, dona de um curso de inglês, aos finais de semana organizava um torneio que rodava a baixada toda.

O Paulo Cesar tinha alguns contatos no Flamengo e marcou um jogo amistoso contra o mirim do clube rubro negro, o time da baixada ganhou de 3x0. Carlinhos que era o treinador do Flamengo escolheu cinco jogadores do time de Nova Iguaçu e fui um dos selecionados. Acabando o período de experiência dos cinco meninos, apenas eu fiquei.

Com 11 anos já jogava em um clube grande e aos 19 anos assinei meu primeiro contrato profissional com o Fla.

No rubro negro da Gávea, você atuou ao lado de grandes jogadores como Andrade, Zico, Adílio, Junior, Leandro, Mozert, Bebeto, Jorginho. Como foi a experiência de jogar ao lado desses craques?
Fui privilegiado, pois quando cheguei aos 11 anos no clube, já convivia com eles, já via o Zico e o Andrade jogar, fazer parte deste time foi a realização de um sonho.

Quando jogava pelo Cruzeiro, em 2001 conquistou o seu quinto título brasileiro, o que fez com que se igualasse ao recorde do Andrade. O que significou para você esta conquista?
Uma satisfação, uma conquista, sem falar que já tinha 37 anos. Também sempre tive uma certa fissura por títulos, então quando me chamavam para algum clube, eu sempre avaliava a estrutura do time, a colocação nos campeonatos e com o Cruzeiro não foi diferente, avaliei o clube, vi que o Vanderley estava mandando bem no time e eles tinham grandes chances de ganhar o título, então aceitei.

Como foi a experiência de jogar no Japão?
Fui por causa do dinheiro, seria hipocrisia minha falar que sempre quis morar lá, eu estava bem aqui, não tinha o porquê ir pra fora se não fosse por causa da grana. Mas, acredito na força de Deus e minha ida para o Japão foi muito bom pro meu casamento, meu conhecimento cultural e para o amadurecimento profissional também. Apenas o primeiro ano foi difícil, pois o treinador era japonês e o auxiliar era alemão, conta rindo, porém, eram excelentes profissionais e ninguém fazia corpo mole. No segundo ano já melhorou, pois a comissão técnica era toda de brasileiros.

Em 2005 após jogar pelo Nova Iguaçu você já tinha decidido parar de jogar, porém escolheu ir jogar em um time amador em Miami, por que esta escolha?
Foi uma proposta da Traffic em formar um time profissional em Miami, me convidaram para jogar, era um clube amador, mas, pensei em ir para levar minha família e aproveitar a oportunidade dos meus filhos estudarem inglês, até porque eu já tinha parado de jogar, mas como o nível lá era baixo, compensava.

E como surgiu o convite para ser treinador deste clube?
Depois de dois anos jogando, eu já exercia a função de auxiliar e quando o treinador saiu e eles me convidaram para exercer a função, já estava com 40 anos, não tinha como negar. Só que depois de dois anos como treinador voltei, por ser amador, a estrutura do clube não era boa, eu exercia todas as funções, diretor, roupeiro, fisiologista e quando dava tempo eu conseguia treinar o time. Se eu ficasse por lá talvez pararia no tempo, porque o Brasil agora é o centro das atenções com a copa do mundo chegando.

Como você avalia a sua carreira de jogador?
Tenho 8 títulos nacionais e o Péle tem 7, só aí já responde a minha satisfação como jogador. Sinto-me privilegiado e ter começado no Flamengo, em ter jogado na seleção brasileira, satisfeito com todas as conquistas e de nunca ter problemas nos clubes em que passei.

Você acredita no ditado “um bom filho a casa torna”?
Com certeza. Sou sócio fundador do Nova Iguaçu Futebol Clube desde 1990 e este ano me tornei diretor técnico do profissional e juvenil. Não teria como ser diferente, nascido e criado aqui, gosto do clube e gosto de trabalhar pela melhoria dele. Aqui trabalho com prazer, passo para esses meninos toda a dificuldade da nossa profissão, faço palestras e mostro a importância da disciplina dentro e fora de campo e me sinto realizado. “Há uma grande diferença entre ser jogador de futebol e em ser atleta, jogador tem um monte, os atletas são poucos, o atleta se preocupa com a sua alimentação, em dormir bem, respeitar os companheiros, a comissão técnica e seu adversário. Deve saber projetar o seu futuro. Para vencer temos que sacrificar algumas coisas, essa é a minha função de orientar.”

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