Entrevista do Mês - Aílton

Aílton
Ex-atleta de Futebol


BATE-BOLA COM AÍLTON

Um momento inesquecível?
Jogar ao lado do Zico. Na verdade eu queria jogar contra, mas quando fui ver, estava no mesmo time e ainda amigo dele.

Um ídolo no futebol?
Zico

Conquistou amizades no futebol?
Ficaram muitos amigos que falo até hoje. Uns sete.

Como foi jogar ao lado do Zico, Andrade, Edinho, Tita?
Eu aprendi muito. São pessoas fantásticas, me receberam muito bem. O Edinho tinha uma preocupação muito grande comigo e com o Zinho. Ele falava que a gente tinha que descansar, porque o time não era ele, Zico, éramos nós dois (Eu e Zinho), porque éramos nós que corríamos, marcávamos. Então eu aprendi muito com esses grandes jogadores, aprendi como homem, como chefe de família e como atleta.

Carreira de treinador:
Não queria ser treinador, eu queria ser empresário de jogador. Parei de jogar e depois comecei a empresariar, aí larguei. Quando veio o convite do Jorginho quando ele estava no América. Mas eu pretendo seguir com a carreira de treinador de futebol.

Um sonho:
Chegar a Seleção Brasileira, o homem que não sonha está morto. Eu sonho coisas grandes.

Por que você não queria ser atleta de futebol?
Meu pai é policial e de uma honestidade incontestável e era um grande exemplo para mim. Então eu queria ser como ele, principalmente por eu admirá-lo muito. Mas eu gostava de jogar minhas peladas, descalço, mas só por lazer.

E como você mudou de ideia e se tornou atleta de futebol?
Eu morava em Acari, na Fazenda Botafogo, e lá tinham vários clubes, falavam pra mim que eu tinha que ser jogador, mas eu não queria. Foi quando um amigo meu, Rodolfo, insistiu. Ele jogava no Olaria e me levou para fazer um teste. Passei e foi quando tudo começou.

Você chegou a largar o Olaria e ir trabalhar com seu cunhado. Como foi?
O Santos se interessou pelo meu futebol e o Olaria não quis me vender, depois eu fiquei sabendo que o Flamengo esta me querendo e o Olaria resistindo. Então falei que se eles não me vendessem eu ia parar de jogar. Fiquei uns dias sem aparecer no clube e fui trabalhar com meu cunhado. Foi quando eles acharam que eu ia parar mesmo e me chamaram no clube e me venderam para o Flamengo.

Você chegou ao Flamengo nas categorias de base. Como foi até subir para o profissional?
Tudo aconteceu muito rápido na minha carreira. O Flamengo tinha um jogo no México e o Zagallo queria levar um meia do juniores. Foi quando o Carlinhos, que era meu treinador falou que tinha um para indicar e pediu que o Zagallo visse um jogo, um treino. O Zagallo me viu jogar e gostou e me levou para o profissional. Joguei apenas cinco jogos no juniores e fui integrado ao elenco profissional.

No Grêmio, você acabou ficando na reserva, mas entrava e sempre fazia gol. Como era?
No Grêmio, a culpa foi minha. Eu tive uma discussão na época com um repórter. Quando comecei a entrar nos jogos eu ia lá e fazia gol. Fomos jogar contra o Guarani, no Brinco de Ouro da Princesa, e eles estavam ganhando de todo mundo jogando em casa. Aí eu entrei no transcorrer do jogo e fiz dois gols. Eu estava numa fase boa. Quando chegou na final, o Felipão me disse que ia me deixar no banco, e eu não concordei com ele porque eu estava em um bom momento, mas eu respeito.

Enfim, eu fiquei na reserva e chorei muito no banco por ficar fora da final. Lembro até hoje o Rodrigo Gral falando pra mim: "calma Aílton, você vai entrar e fazer o gol do título". Antes de irmos para o jogo, a Maria Helena, que trabalhava no clube disse pra mim que tinha sonhado que eu ia fazer o gol do título. Mas eu ali no banco vendo o tempo correr pensei: Po, como vou fazer o gol no banco de reservas? Foi quando o Dinho chegou na beira do campo e disse para o Felipão tirar ele e me colocar. Eu nunca vi isso na minha vida, um jogador pedir pra colocar outro jogador no lugar dele. Foi quando eu entre e a bola só vinha em mim e quando o zagueiro cortou e eu peguei pra chutar, logo pensei caramba vou acertar lá na arquibancada, mas vou arriscar, e quando vi a bola entrando foi maravilhoso. Na minha cabeça a minha comemoração era a seguinte: Eu ia descer o fosso e ia embora, mas quando o Paulo Nunes me segurou mudou tudo, bati no peito e falei até um palavrão. Foi maravilhoso.

Você atuou no Botafogo, Flamengo, Fluminense. O único grande que não atuou no Rio foi o Vasco. Por que?
Em 92, antes de eu ir para o Japão, eu fui ao Vasco para acertar, foi até o Bebeto que me levou. Só que meu passe era do Guarani e numa pré temporada eu conversando com o presidente do Guarani falando que eu tinha ido no Vasco, ele falou pra eu esperar, disse que eu tinha feito um bom campeonato e que tinha vários clubes como Corinthians, Palmeiras e um clube do Japão interessado em mim, e que ele queria me vender pra fora. E logo depois eu fui vendido para o Japão.

Um recado para os jovens atletas:
Para os que estão comecando, as vezes estão ao lado do ídolo e querem copiar, por exemplo fazer penteado, usar brinco. Tem que ter calma, pois para virar um Ronaldinho, tem uma longa estrada pela frente, na qual o próprio Ronaldinho percorreu.

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